Mostra Visual de Poesia Brasileira - Poéticas Sonoras Verbais Visuais


27/10/2006


guilermo deisler

AMOR

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma numa matéria prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva
Ou em rima

Paulo Leminski
http://almadepoeta.com/fulinaima.htm


 

Escrito por arturgumes às 15h59
[ ] [ envie esta mensagem ]

guilermo deisler

 

 

OLHAR

eu
quando olho nos ollhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora
de dentro de meu centro
este poema me olha

Paulo Leminski

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 15h53
[ ] [ envie esta mensagem ]

Escrito por arturgumes às 00h31
[ ] [ envie esta mensagem ]

Memorabilia

Guardam-se em memorandos os quês,
os quens, os quandos.

Entre flashes perdidos no tempo,
desenha-se incerto esboço:
sonhos, sombras, rostos, nomes, toques, gostos.

Recriam-se as cenas, os planos-seqüência.
Carrega-se nas tintas, apagam-se alguns traços,
ganham vida personagens.

Vestem-se as imagens,
engendrando gestos possíveis da engrenagem.
Congelam-se momentos
e se auscultam cérebro, coração e células.

Abre-se o foco ao máximo
e se deixa ir o pensamento em liberdade pela página,
pela mão, por improváveis cenários,
até alçar vôo nas asas do imaginário.

Consultam-se agendas antigas,
velhos álbuns de retratos,
cartas extraviadas, vídeos,
vestígios velados nos desvãos do esquecimento.
Revela-se, quadro a quadro,
o abismo entre memória e  passado.

 

Cairo Trindade

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 00h30
[ ] [ envie esta mensagem ]

23/10/2006


artur gomes e césar castro - foto: oscar wagner

Escrito por arturgumes às 18h09
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

Vermmer Além da Alma –

Variações sobre o mesmo Tema

 

César Castro – TransPirações Gráficas

Artur Gomes – Poemas

 

 

Jura secreta 21

 

se for pecado desejar-te tanto

então que me perdoe ou me proíba

                 de te roubar-te um beijo

      ou querer-te assim como desejo

menina dos brincos de ouro mayara ou beatriz

        a pele em flor  simplesmente  nua

    do mar ao sol  somente a  luz da lua

      abertas as portas entradas e janelas

    sentidos poros em tudo quanto velas

 

  quem sabe Dante renascido no meu canto

quem sabe quanto as escondidas me deseja

       de corpo e alma onde tudo em ti lateja

   e quer meu sangue quente  no teu sangue

          retesado corpo em pêlo no teu corpo

                   

                    onde as marés espraiam

                 e os deuses nos espreitam

amantes pela praias

          como nós seres humanos

          também tornados deuses

   sem pudores quando amamos

 

arturgomes

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

De 22/11 a 20/12 – Galeria - Sesc Campos

Realização: Sesc Rio de Janeiro    

Escrito por arturgumes às 18h08
[ ] [ envie esta mensagem ]

22/10/2006


Escrito por arturgumes às 09h25
[ ] [ envie esta mensagem ]

profanalha
nu rio


a flecha de são sebastião
como ogum de pênis/faca
perfura o corpo da glória
das entranhas ao coração

do catete ao largo do machado
         onde aqui afora me ardo
     como bardo no caos urbano
           na velha aldeia carioca

sem uma palavra bíblica

muito menos avária

:orgasmo é falo no centro

lá dentro
                da candelária

 

arturgomes

http://arturgomes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

Escrito por arturgumes às 09h24
[ ] [ envie esta mensagem ]

obra premiada no xvi salão de artes de bento gonçalves-rs

Escrito por arturgumes às 09h21
[ ] [ envie esta mensagem ]

Oração para todos os santos e canalhas

Procissão das cobras santas benditas
Arrastam-se nas noites iluminadas por velas
O cheiro do breu invade as narinas casas
De corpos habitados de medos.
A cada esquina um crucificado
A cada curva um corpo que sangra
Um cristal uma catedral

As estampas dos santos em vermelho
Tecidos dos vestidos de vestir cidade,
São trapos embandeirados em filas
E preces de todos os dias.

Cada mulher um crucifixo
Penetrando o útero como um falo
Cada homem a carcaça apodrecida
Exposta em mercado público
A cada domingo e dia santo

Coros de orações por todos os não santos

MARKO ANDRADE

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

Escrito por arturgumes às 09h18
[ ] [ envie esta mensagem ]

Escrito por arturgumes às 09h15
[ ] [ envie esta mensagem ]

O Duplo

Debaixo de minha mesa
tem sempre um cão faminto
-que me alimenta a tristeza.

                    

                     Debaixo de minha cama
                     tem sempre um fantasma vivo 
                     -que perturba quem me ama.

Debaixo de minha pele
alguém me olha esquisito
-pensando que eu sou ele.

                            Debaixo de minha escrita
                            há sangue em lugar de tinta
-e alguém calado que grita.

 

Affonso Romano de Santana

 http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 09h13
[ ] [ envie esta mensagem ]

vermmer além da alma - césar castro: transpirações gráficas

Escrito por arturgumes às 09h09
[ ] [ envie esta mensagem ]

Não é o boi
que me atrai.
É o pasto
ora seco
ora esverdeado.
Entre raízes
do Mato Grosso.
E o cantar da carroça,
figura plantada
em seu couro.
Pernoitando no Pantanal
a ânsia de viver.

Magaly

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 09h05
[ ] [ envie esta mensagem ]

chris herrman e artur gomes em bento gonçalves-rs - xiv congresso brasieliro de poesia

 

Haikai em Bento...


Viemos pelo vento,
Bento, vinho e poesia;
Vinhedo assedia.

Letras Pitangueiras,
liberdade sem esquema;
Nascente-Poema.

Poetas se encontram,
palavras em sinergia;
Luz-noite, luz-dia..


Christina Magalhães Herrmann
http://www.recantodasletras.com.br/haikais/268794

 

Escrito por arturgumes às 09h02
[ ] [ envie esta mensagem ]

Escrito por arturgumes às 08h57
[ ] [ envie esta mensagem ]

Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Este da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacraia.

 

 Hilda Hilst

 http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 08h56
[ ] [ envie esta mensagem ]

vermmer além da alma - césar castro: transpirações gráficas

Escrito por arturgumes às 08h48
[ ] [ envie esta mensagem ]

Desejos vãos


Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!


Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é ate da morte!


Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!


E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisá-as toda a gente!...

Florbela Espanca

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm


Escrito por arturgumes às 08h46
[ ] [ envie esta mensagem ]