Mostra Visual de Poesia Brasileira - Poéticas Sonoras Verbais Visuais


04/11/2006


carmen tasca frozi

do ponto final


eu
e tu
diga lá
o que fazer
de nós dois?

onde
o porto
para ancorar
estes corpos
cansados
de se navegarem?

eu
e tu
onde foi que perdemos
o mapa do sonho
que trazíamos
no coração?


© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

http://ademirbacca.blogspot.com

 

Escrito por arturgumes às 22h01
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gustavo saba no movimento inverso - foto: artur gomes

 

 

Arco-íris

se tu fores arco-íris
irei até o teu extremo
tua nascente
e beberei de teu tesouro
que é perfume
cores de tua alma

de teu corpo
pote de tuas multifaces
multicores
revelarei tonalidades
boca, olhos, pêlo
sensualidade

se arco-íris fores
e das flores roubar tuas cores
quero ser a que mais brilhe
o mais belo dos matizes
o que morras de amores

Luiz Fernando Prôa

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 21h50
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vermmer além da alma - césar castro: transpirações gráficas

Se

se
nasce
morre nasce
morre nasce morre
renasce remorre renasce
remorre renasce
remorre
re
re
desnasce
desmorre desnasce
desmorre desnasce desmorre
nascemorrenasce
morrenasce
morre
se

Haroldo de Campos

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 21h06
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lavra/palavra

a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
quando a lavra explora

se é saudade dói
mas não demora
e sendo fauna
linda como a flora
lua luanda
vem não vá embora

se for poema
fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

artur gomes

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

http://arturgomes.zip.net

aqui só juras secretas

http://jurassecretas.zip.net

Escrito por arturgumes às 10h41
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02/11/2006


césar castro - http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 15h25
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Traduzir-se

                    Uma parte de mim
                    é todo mundo:
                    outra parte é ninguém:
                    fundo sem fundo. 

                    Uma parte de mim
                   é multidão:
                    outra parte estranheza
                    e solidão. 

                    Uma parte de mim
                    pesa, pondera:
                    outra parte
                    delira. 

                    Uma parte de mim
                    almoça e janta:
                    outra parte
                    se espanta. 

                    Uma parte de mim
                    é permanente:
                    outra parte
                    se sabe de repente. 

                    Uma parte de mim
                    é só vertigem:
                    outra parte,
                    linguagem. 

                    Traduzir uma parte
                    na outra parte
                    - que é uma questão
                      de vida ou morte -
                      será arte?

 

ferreira gullar

 

Escrito por arturgumes às 15h15
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césar castro

Permita-me...

Permita-me a última nota
Ao som da flauta
E a última gota que se esgota
No cálice de vinho.

Permita-me a última dança
Corpo colado
Teus braços juntos aos meus
Teu gosto que entorpece.

Permita-me derreter o gelo
E na boca, gota a gota,
Sentir o sabor da morte
Rever o prazer da vida.

Onde pousa longe o amor
E o mar não vejo,
No verde das estrelas que me restam
Permita-me o brilho da sua alma.


Magaly

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 13h54
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01/11/2006


foto: artur gomes

LADRÃO

salto sobre a presa
pleno de fantasias
coração quente
carrego máscaras
entidos explodem
de insensatez

ladrão na noite
roubo teus sonhos
teus mistérios
guardando lembranças
saltando janelas
sussurrando ecos

noite estelar intensa
irrompe em orgasmos
no fluxo de artérias
multiplicando suores
palavras preguiçosas
grudando na pele

carinho, lembrança
coração saciado
bate lento e crespo
removendo saudades
teus olhos macios
anunciam eternidades

Jiddu Saldanha

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 23h03
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artur gomes

travessia
Travessia

de almada vou atravessar o tejo
barco à vela portugal afora

em Lisboa vou compor um fado
e cantar no porto

feito um blues rasgado
de amor pela senhora
que me espera em paz

e todo vinho
que eu beber agora
será como beijo
que eu guardei inteiro
como um marinheiro
que retorna ao cais

artur gomes
http://arturgomes.zip.net
http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 18h38
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hugo pontes

Cogito

Eu sou como eu sou
Pronome
Pessoal intransferível
Do homem que iniciei
Na medida do impossível

Eu sou como eu sou
Agora
Sem grandes segredos dantes
Sem novos secretos dentes
Nesta hora

Eu sou como eu sou
Presente
Desferrolhado indecente
Feito um pedaço de mim

Eu sou como eu sou
Vidente
E vivo tranqüilamente
Todas as horas do fim

 

Torquato Neto

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 18h32
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foto: cláudia gonçalves

Mãos de meninos

Em esquinas e becos, tem mãos de meninos.
Que roubam que matam que morrem.
Na pele, no osso, o medo, o terror.
E na noite vazia...
Tem nas mãos de meninos, pedra, punhal..
Ou serão gotas de sonhos que não germinaram
Com os sentidos bloqueados, entre lama e fantasmas,
O que tem no abandono, é o belo em carrancas.
Que traduz o escuro, o avesso da vida.
Corroendo a alma com total dissabor.
E nas mãos de meninos:
Pedaços de nada, a bandeira da dor.

Cláudia Gonçalves

 

foto: cláudia gonçalves

 

Escrito por arturgumes às 14h14
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31/10/2006


ana guimarães

Paciência

"diz agora
a palavra que cala
essa ânsia da alma
infinitos segundos
minutos
e horas

diz pra mim
uma prece sem pressa
que acalme a espera
desse início
sem meio
nem fim

fala tudo
sem meias verdades
sem metáforas/imagens
sobre caminhos
atalhos
e rumos

sussurra ao vento
como aplacar a ferida
nessa urgência de vida
enquanto o instante
é apenas
um grito"

Luiz Fernando Prôa

http://almadepoeta.com

 

Escrito por arturgumes às 15h17
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 césar castro - transpirações gráficas

Âmbar

 


Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos

 

Adriana Calcanhoto

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 



Escrito por arturgumes às 14h24
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Meu  coração lá de longe

faz sinal que quer voltar.

Já no peito trago em bronze:

NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.

Pra que me serve um negócio

que não cessa de bater

Mais parece um relógio

que acaba de enlouquecer.

Pra que é que eu quero quem chora,

se estou tão bem assim,

e o vazio que vai lá fora

cai macio dentro de mim

 

Paulo Leminski

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

Escrito por arturgumes às 14h15
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30/10/2006


A tua melancia e a minha vida inteira

A mesma faca que corta a melancia
corta os punhos.
E o que sai
tem a maior parte
de água,
suja as pias da cozinha e do banheiro
com o mesmo desleixo.
A diferença
é que uma sacia
e a outra esvazia...

Marisa Francisco

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 21h53
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dirce pozza

Um instante

Aqui me tenho
como não me conheço
nem me quis
sem começo
nem fim
aqui me tenho
sem mim
nada lembro
nem sei
à luz presente
sou apenas um bicho
transparente

Ferreira Gullar

 http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 15h09
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Posse Da Palavra

Possuí-la até desverberá-la
Possuí-la até dessujeitá-la
Possuí-la até desaprendê-la
Ao avesso arraste-a.
Arranque lhe a pronúncia
Arrebente lhe a caligrafia
Esprema lhe o sentido
Bata em seu cunho vernáculo
Tire lhe a multiplicidade de palavra
Ao avesso arraste-a.
Sem violá-la sem traí-la
Vista-a com abandono e silêncio
Libertamente despalavreando-a:
A posse da palavra pela palavra.

Cristiane Cubas

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 15h06
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29/10/2006


giovanni strada

contralto

sinto algo esparramado
em minhas veias e
já nem sei se é saudade
ou a retenção covarde
dos gritos que abafei
em terna e cálida
angústia

sinto que algo alumbra
meu sentimento que até
pouco era apenas um nó
racional desguarnecido

as alamedas ensandecidas
por onde deixei meus pés
descalços espetam uma
lucidez que espanta

todavia percorro milhas

e milhas do meu avesso

 

lau siqueira

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 01h53
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