Mostra Visual de Poesia Brasileira - Poéticas Sonoras Verbais Visuais


16/02/2007


Pétala em Transe: tipo graficamente

em alguma esquina da tarde
vejo em alguma vitrine
que o sangue é vermelho
em quem arde tipo graficamente
e leio em teus olhos d´água
em transversal transcendente
a palavra: diagramação

e deda é onde te beijo dédala
mais tarde logo depois
diante o computador
no poema li teus olhos na tela
quando um beija-flor me revela:
não és pedra ou matéria in/odor
és sim: pétala em transe e paixão

as letras escorrem em teus dedos
nas menchetes de um jornal semanário
sem querer descobri teu diário
onde já estão lá os segredos
deste amor que me é profissão
onde deito em teu corpo os vinhedos
e em teu ser já deixei minhas mãos

artur gomes
http://arturgomes.zip.net
http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 11h44
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14/02/2007


 

Pedras do Brasil

Juntando pedras multicoloridas
Assim construir
Idas e vindas

Pedras lavadas, arredondadas
sem pontas, polidas.
Pedras rústicas, protegidas,
recriadas, ressurgidas.

Pedras lascadas, serviçais...
Entre homens e mulheres
racionais, irracionais...
Imagens cristais,
vendo pontes destruídas
e riquezas represadas

Almas esquecidas, destituídas,
Tesouros em mundo vil.
Crianças multicoloridas
Pedras miudas do Brasil

 

Maria Rita

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm




Escrito por arturgumes às 14h12
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13/02/2007


O Corvo Baleia!

No fundo do mar um ser habita.
Cabeça e asas de Corvo,
Corpo de baleia.

Sobe a superfície e voa pesado,
Luta para não sucumbir à ferida lenta
E na lição de esperança do passado
No fundo abissal não entra...

Não quer mais comer coisa morta
Não quer só a existência de rodapé
Não quer mais temer a rigidez da porta
Não quer ser o corvo que é!

Deseja a baleia que, em si,
Na liberdade de ir e vir
Na incompletude de quem insiste em rir
Ele quer ser livre em seu devir

André Sarturi & Michèle Sato

Escrito por arturgumes às 15h43
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FOGO INTUITIVO DE SEDNA

 

Estanco a dor
no leito de águas férteis
Afundo na magia das flores do mar
espelhando o amor incontido
Curvo-me em sonhos descaminhos
Vou ao encontro da alma
e do corpo me desligo
no espírito que transcende a matéria
Com a sereia da minha existência
mergulhando no íntimo dos sentidos
E nesse emaranhado de segredos
entre estrelas e caracóis
deixo-me inerte
Golfinhos dançam em minha volta
em águas mais profundas de Adlivun.....
Disseminando minha essência
em chama do fogo intuitivo....
a paixão me absorve no mito
mas expande a beleza da energia feminina
que fecunda a vida no fundo dos mares

 

Eliana de Faro Valença SEDNA

& Michèle Sato PANDORA

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm



 

Escrito por arturgumes às 15h41
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11/02/2007


Barulho

 

Todo poema é feito de ar
apenas:
a mão do poeta
não rasga a madeira
não fere
o metal
a pedra
não tinge de azul
os dedos
quando escreve manhã
ou brisa
ou blusa
de mulher.

O poema
é sem matéria palpável
tudo
o que há nele
é barulho
quando rumoreja
ao sopro da leitura.

 

Ferreira Gullar

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm


Escrito por arturgumes às 14h43
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