Mostra Visual de Poesia Brasileira - Poéticas Sonoras Verbais Visuais


03/03/2007


VeraCidade é Genial

.
Poesia de carne e de osso
que desafia o etéreo
quase que sinto no ventre
ou no dorso o gosto
- gozo -
doce do mistério!

mas continua poético
e as portas ao vento batem
fechando todo o deserto
- universo -
sem coragem!
.
Marisa Francisco

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 12h16
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VeraCidade

 

porque trancar as portas

tentar proibir as entradas

se eu já habito os teus cinco sentidos

e as janelas estão escancaradas?

um beija flor risca no espaço

algumas letras de um alfabeto grego

signo de comunicação indecifrável

eu tenho fome de terra

e este asfalto sob a sola dos meus pés:

agulha nos meus dedos

 

quando piso na augusta

o poema dá um tapa na cara da paulista

flutuar na zona do perigo

entre o real e o imaginário:

joão guimarães rosa martins fontes caio prado

um bacanal de ruas tortas

eu não sou flor que se cheire

nem mofo de língua morta

o correto deixei na cacomanga

matagal onde nasci

com os seus dentes de concreto

são paulo é quem me devora

e selvagem devolvo a dentada

na carne da rua aurora

 

Artur Gomes

gravada no CD fulinaíma outras vozes outras falas

http://arturgomes.zip.net

entre e ouça:

http://www.soundclick.com/fulinaimasaxbluesepoesia
http://www.soundclick.com/arturgomesfulinaima
http://www.soundclick.com/fulinaimaoutrasvozesoutrasfalas

 

 

Escrito por arturgumes às 12h06
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02/03/2007





Lesma
Lenta
Lasciva
Lambisca
Labirintos

Luta
Labuta
Latejante
Lança
Leibniziana

Livre
Louca
Lesa
Legado
Lamúria

Luminosa
Liga
Labaredas
Líricas
Libidinosas

 

Michèle Sato

http://almadepoeta.com/htm

Escrito por arturgumes às 14h12
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foto: dani morreale

 

NA ERA DO TERROR - I

Adeus, privacidade!
Um olho eletrônico nos vigia
até em nosso sono.

Prerrogativas, adeus!
Um tribunal bloqueia a porta
por onde teríamos de entrar (ou de sair).

Adeus, segurança!
Uma bala nos espreita
na esquina onde vamos passar daqui a pouco.

Antes, inocentes até prova em contrário;
agora, suspeitos até mesmo sem indício algum.
(Só um jeito diferente de olhar
- coisa de apaixonado.)

É o terror, a conta-gotas.

Adeus, direitos humanos!
Adeus, democracia!
Adeus, amor!

(A vida vale um enterro.)

Escrito por arturgumes às 04h28
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NA ERA DO TERROR – II

Á saída de casa,
arriscamos a vida.

Á entrada no carro,
arriscamos a vida.

Ao passar pela rua,
arriscamos a vida.

Ao abrir o fichário,
arriscamos a vida.

Ao voltar para casa,
arriscamos a vida.

Até mesmo a dormir,
arriscamos a vida.

Arriscamos.

São horas diárias de tensão
por um, não de prazer, instante breve,
breve instante de alívio
para os que escaparem.

Mas então
já estragamos
o dia.

Amanhã será um outro dia.

(Se puder
ser diferente.

Ou
sequer
amanhecer.)

 

Escrito por arturgumes às 04h25
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NA ERA DO TERROR – III

Não se sabe de onde:
pode vir de qualquer ponto.

Não se sabe quando:
pode ser a qualquer instante.

Não se sabe quem:
pode ser qualquer vivente.

A praia aonde você vai para um dia de lazer.
A hora extraída ao catre para um encontro de amor.
A pessoa que você ia encontrar nesse intervalo.

Agora,
no lugar da janela aberta ao mundo,
um olho eletrônico em cada canto;
no lugar de um mãos-dadas ao ar livre,
blindagem nas casas e nos corações.

O planeta está minado:
impossível conviver.

E os nervos que não estourem, juntos
com a próxima bomba.

Pedro Lyra
(Do livro Argumento – Poemythos globais. Rio, Íbis Libris, 2006.)

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 04h23
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01/03/2007


david ovic

lembra o tempo que você sentia

e sentir era a forma

mais sábia de saber

e você nem sabia?

 

Alice Ruiz

http://leminiskata.blogspot.com

 

Escrito por arturgumes às 13h17
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Estrela de Fogo

 

Atiçais

tudo que em mim

ainda queima e arde

fogo com o sol da tarde

carne de maçã em desalinho

lua quando chega noite

por estas noites de março

entre os lençóis e o linho

um mar em nossa janela

estrela quando brilhante

acende meus olhos em brasa

e exalas por toda casa

até na matéria bruta

perfume de mulher

como açoite

faminto que sou como a fruta

e bebo teus lábios de vinho

 

Artur Gomes

http://jurassecretas.zip.net

http://arturgomes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 13h07
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28/02/2007


Escrito por arturgumes às 08h03
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apresentação

 

eu sou o poeta que se senta no poema

para ler a vida. sou.

aquele que precisa juntar partes,

que não está sozinho agora,

que não tem pétalas guardadas no peito

que não tem cartas guardadas na manga

mas que tem amigos guardados

que tem amores guardados

que tem planos guardados em guardanapos.

eu sou o poeta que não perde a veia,

que guarda a vida numa pasta de papel,

que inventa a vida, inventa a pasta,

inventa o papel, inventa uma janela pra

olhar a cidade e ouvir a música que a

cidade sugere. eu sou o homem obscuro que

desde sempre se sabe poeta,

que se sabe poeta não por algum

repentino saber dos sentidos:

mas por algum querer do destino.

sou o que por destino provou fel

sou o que por destino provocou felicidade

que por utopia teimou, resistiu.

eu sou o poeta que precisa do medo de morrer,

que sente o medo um pouquinho e depois

encoraja-se pelas mãos do poema,

aquele que só existe pelas mãos do poema.

eu sou como os poetas que acreditam no poder

das revoluções e dos clichês,

no poder da lua e das marés,

do vinho e das sopas, das sopas e das moscas,

das moscas e das moças, das moças e das massas.

sou, como os poetas que se sentam

no poema para ler a vida.

 

luiz edmundo alves

in Fotogramas de Agosto – anomelivros/2005

www.tanto.com.br

www.anomelivros.com.br

 

 

Escrito por arturgumes às 08h01
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Escrito por arturgumes às 05h42
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Paupéria revisitada

 

Putas, como os deuses,

vendem quando dão.

Poetas não.

Policiais e pistoleiros

vendem segurança

(isto é, vingança ou proteção).

Poetas se gabam do limbo, do veto

do censor, do exílio, da vaia

e do dinheiro não).

Poesia é pão (para

o espírito, se diz), mas atenção:

o padeiro da esquina balofa

vive do que faz; o mais

fino poeta, não.

Poetas dão de graça

o ar da sua graça

(e ainda troçam

-   na companhia das traças -  

de tal “nobre condição”).

Pastores e padres vendem

lotes no céu

à prestação.

Políticos compram &

(se) vendem

na primeira ocasião.

Poetas (posto que vivem

de brisa) fazem do No, thanks

seu refrão.

 

Ricardo Aleixo

In Máquina Zero – Scriptum Livros/2004

http://jaguadarte.zip.net

 

 

Escrito por arturgumes às 05h41
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27/02/2007


Flor da Lama

 

 

limo lesma lendas

não fosse essa lírica de carne e sangue

quando me aflora teu mangue

pele na flor da lama

na língua do mito e dos ossos

teu corpo meu pasto e cama

orsgasmo aqui entre as fendas

grávida de ti Manuel de Barros

 

no eco lógico das eras

e na mitologia das falas

esperma saliva pa/lavras

enquanto canibal eu me deito

quando em  Cuiabá me encontro

entre a  tua fauna e  a flora

e teu mato grosso deleito

lambendo o fio das horas

 

Artur Gomes & Michèle Sato

http://arturgomes.zip.net

http://fulinaima.blogspot.com

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

 

Escrito por arturgumes às 20h32
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terra/mãe

 

agora que pairas sobre o tempo

quando o tempo ainda é tempo

ou quando invento no meu corpo

este teu tempo de existir

e reInvento o que ainda não existe

ou quando o tempo já se foi

sem sequer se existisse

ou se não visses tudo em ti

se já passou

 

agora mãe

é quando terra ainda me lembro

de algum tempo

na ferrugem que ficou

roendo os ossos dos meus dedos

não tenhas medo

de dizer que ainda é cedo

se alguma lágrima

sai do tempo que brotou

 

Artur Gomes

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 19h55
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Fogo

Mais que um toque,
vejo amor em transe
beijos em relance
e cores de um romance

Mais que um elemento,
Na natureza que ama
Uma paixão de acalento
Na ardência que queima

Mais que um abraço
vejo mãos que se afagam
corpos que se enlaçam
Terra e fogo se casam

Clara Beatriz / Michèle Sato

http://fulinaima.blogspot.com

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 09h56
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26/02/2007


Poema

Não há verso
tudo é prosa,
passos de luz
num espelho,
verso, ilusão
de ótica,
verde,
o sinal vermelho.

Coisa
feita de brisa,
de mágoa
e de calmaria,
dentro
de um tal poema,
qual poesia
pousaria?

Paulo Leminski

http://fulinaima.blogspot.com

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 22h29
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O canto do canto

No canto solto o canto dos meus sentidos
e grito a voz que me é calada
sou estrada sem vício
sou alguma gota de chuva
evaporada,

a terra expele o cheiro de pó
um pó de dó, de sol de ré de mi:
mim está comigo
sem quase existir

sol fa mi dó si,
si que escapou do sim
eu em si tenho dó
e dou-me ré

vivo vida em sons calados,
músicas alternadas
em versos dourados
caminhando no tempo
que já não me diz nada.


Sônia Macedo

http://fulinaima.blogspot.com

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 19h32
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Fernanda,  Ademir,  César  e Rotini -  uma noite inesquecível

cais

em ti
aporto versos
mal feitos
e medos
acumulados
em temporais
que, por pouco,
não me levaram
a pique

em teus braços
ancoro palavras
e sonhos cansados
de tudo que vem do mar
feito onda que não cansa
de dar na praia

em ti
aporto sonhos
de palavras
que rasgam as trevas
e anunciam novas manhãs.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

http://ademirbacca.blogspot.com

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 19h11
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Fome

Há fomes de crescimento
De saber, de entender...
Há fome que é argumento
Para ser ou parecer.
Há fome que espera alimento;
Pequeno esse tormento
Só vontade de comer.
Dura é a fome que já desistiu
Que dorme e acorda roendo
O que o corpo já construiu.
Cruel é fome que assiste
A fome dos filhos que tem
Doe estômago, dói alma
Corpo fica enfraquecido
E o coração no desgosto
De ver virar pele e osso
As vidas...os corpos que concebeu.
E não consegue ter força
Esperança de Zé-ninguém
Faltam sonhos, sobram retalhos,
E embala o fato nos braços
De pele e osso também.

Sônia Prazeres

http://tropicanalice.zip.net

http://fulinaimicamente.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

 

Escrito por arturgumes às 17h16
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guerra


ao amor
armas eu trago

pedras, poemas, afago

no lago
as pedras eu lanço,
os poemas viram música
e eu danço,

o afago é fogo e não apago

avanço
aceso e desarmado
e na guerra que eu não venço,
também não saio derrotado.

 

Rodrigo Mebs de Santana

http://fulinaima.blogspot.com

http://almedepota.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 17h11
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Construção

 

a saudade me dói como uma saudade
só assim que dói
só dói assim

o resto é um alívio
liberdade das minhas próprias grades
onde enfiei os pés pelas mãos

sei que sonhei ilusões
fardos que compus grão a grão
mas eram tão bonitos
e verdadeiros
que não importava se passageiros
do trem de carga da paixão

cada momento que trilhamos
hoje guardo nos meus planos
que ainda é confuso meu futuro

mas não invento nada

sou só maquinista desta estrada
ainda em contra-mão


Marisa Francisco

http://fulinaima.blogspot.com

 

Escrito por arturgumes às 14h55
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A coisa e a Fala

 

a boca não fala
o ser (que está fora
de toda linguagem):
só o ser diz o ser
a folha diz folha
sem nada dizer
o poema não diz
o que a coisa é
mas diz outra coisa
que a coisa quer ser
pois nada se basta
contente de si
o poema empresta
às coisas
sua voz - dialeto -
e o mundo
no poema
se sonha
completo

 

Ferreira Gullar

http://jurassecretas.zip.net

http://fulinaima.blogspot.com

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 14h18
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Ser mínima

Cortar cabelo
unha pele
mas sem o cálculo da cutícula.

Despir-me de tudo
o que não dói.

Ultrapassar toda a carne
e roer osso –
canina –
roer o rabo.

Roer, ainda,
os próprios dentes
agudos
rentes

 

Mônica de Aquino

http://fulinaima.blogspot.com

Escrito por arturgumes às 14h13
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Breu


Esta noite breu
Não retornaremos,
Teremos apenas uma janela lunar
Pousada no fundo,
Palavras que quebram vidro
E um carpinteiro em madeira,
Bicho do imaginário.
Sonharemos entalhes laterais
E falaremos em nós a verdade.
Esta noite breu
Não teremos o que chorar
Estaremos apenas singrando rios
Na transparência da alma
E reinventando brinquedos
De sonhar no chão


MARKO ANDRADE

http://fulinaima.blogspot.com

 

Escrito por arturgumes às 14h02
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eu e os irmãos carraro - stand lidio carraro - fenavinho

CANÇÃO EM CAMPO VASTO

Deixa-me amar-te com ternura, tanto
que nossas solidões se unam,
e cada um falando em sua margem
possa escutar o próprio canto.

Deixa-me amar-te com loucura, ambos
cavalgando mares impossíveis
em frágeis barcos e insuficientes velas,
pois disso se fará a nossa voz.

Ajuda-me a amar-te sem receio:
a solidão é um campo muito vasto
que não se deve atravessar a sós.

Lya Luft

http://fulinaimablogspot.com

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 10h06
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antropofagicamente
cumer or not cumer?
: this is the question

se é para matar a fome aline
se é para matar a sede alice
se é para cumer teu nome
metáfora tropicana
lambe a tropicAnalice
ev com a letra que restar
do sobrenome
reInvento a tropicália
vais me ter em sagarana
mordo teus lábios de cigana
e só tua boca me define

artur gomes

http://arturgomes.zip.net

http://jurassecretas.zip.net

Regulamento Concurso de Contos – Josué Guimarães – Passo Fundo-RS  -

no site: http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 10h01
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