Mostra Visual de Poesia Brasileira - Poéticas Sonoras Verbais Visuais


24/03/2007


sou cachoeira

fúria de água insistente

esmurrando pedra morro paciente firme na contra-corrente

 

deixar a vida passar

mostra que ser resistente

de verdade

é nem questionar

 

não interessa as intenções do rio

 

jorra

sempre,

morro

abaixo

uma

imensa

sensação

 

de vazio

 

Estrela Ruiz Leminski

http://leminiskata.blogspot.com

 

Escrito por arturgumes às 21h53
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22/03/2007


bacon/man/dog1

manás

 

 

cão raiva na boca

cão raiva nos olho

s cão raiva no nariz

cão raiva nas orelha

s cão raiva nas axila

s cão raiva no umbigo

cão raiva nas virilha

s cão raiva no pau

 

cães raivam no cu

fuck you fuck you fuck you

 

Wilmar  Silva

www.wilmarsilva.com.br

 

 

Escrito por arturgumes às 16h29
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21/03/2007


delvax

 

O ato

Cena 1
Semente na terra

Cena 2
Na terra somente

Cena 3
Um broto desperta

Cena 4
Uma flor aparente

Dani Morreale

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por arturgumes às 10h23
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20/03/2007


arcimboldo

estilhaços no lago de púrpura

 

2

 

/ eu que venho com um ramalhete de espinhos na carne

derramo lâminas e facas nos olhos dos pés,

ainda sim/ serro um pássaro/ de asas nos braços

coiote eu/ eu hiena nascer de um rio sem margem,

piscoso envenenado de tanto mergulhar na terra

eu perdido no escuro da madrugada atrás de você

um ermo eu: uma ave ferida no ermo eu:

apenas um caçador alcança a lontra no dorso

sou eu este que vem armado de flechas e dardos/

para uma flecha presa no umbigo a minha língua

para um dardo derretido na virilha a boca de beijos

 

Wilmar Silva

In Estilhaços no Lago de Púrpura

anome livros - Belo Horizonte-MG/2006

www.wilmarsilva.com.br

www.anomelivros.com.br

 

Escrito por arturgumes às 09h08
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19/03/2007


baumeister

olho de lince

 

onde engendro

 a sagarana

 

invento

a sagaranagem

 

entre a vertigem

e a voragem

 

na palavra

de origem

 

entre a língua

e a miragem

 

 

mordendo:    o vírus da linguagem

no olho de lince                do poema

 

Artur Gomes

http://poetica.zip.net

http://arturgomes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

Escrito por arturgumes às 23h20
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Salmo.5.783

 

É sempre como digo

A orelha deve estar sempre

Acima do umbigo

Eu que não sou

O Artur Gomes

Nem tenho faca de dois gumes

Uso as unhas mesmo

Pra cortar os meus legumes

 

Federico Baudelaire

Igreja da Salvação Pela Graça

http://federicobaudelaire.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 23h17
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Adentrem
Canelas
Pataxós
Krikatis
Gaviões
Timbiras
Canelas
Guajás
Teneteharas de mim

Atavicamente
refaçam morada
em meu ser

Desfaçam
refaçam
façam
novo tempo

Aldeias de mim
jamais extintas
reabitadas
diariamente

 

Lilia Diniz

http://liliadiniz.zip.net

Escrito por arturgumes às 09h47
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