Mostra Visual de Poesia Brasileira - Poéticas Sonoras Verbais Visuais


12/08/2007


foto: areta luna

POEIRA DA ESTRADA

 

Quando eu me vejo, como a vela da minha vida

Descubro o sangue, eu corto a pele daquele sono

É como o céu da boca que fica negro, espelho que refina

Escolho a trouxa, que me dá fome e eu nem como

 

E como de noite, tudo cabe e eu sou facho

Enfileiro meus dedos no pó que a guelra há de querer

É como uma madeira que corto, entorto e me lasco

São lanternas, binóculos, viseiras e tudo que tem que se ver

 

E no banquete do que a hora me chama

Eu viro anjo, rato, lagarto, cheiro do mato

Como fumaça, jejum, um tôco e tudo que o mundo difama

O risco de uma gilete, a ponta da poeira em tudo que é pasto

 

Sou torre de torresmo, como um bagulho que corre solto

É o rolê que dou, por dentro de imundícies e lixões

É o pensamento que corre como se fosse o outro

Que me joga no podre, no gueto da grama, no difícil vale e seus leões

 

Só assim no meio da noite, eu encontro a vida

Que corre na via daquele expresso que me consome

Tudo que some, como uma vã espécie que rasga o véu daquela ferida

Do que me resta daquele pincel que me colore e que não tem nome.

 

CGurgel 

 http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por arturgumes às 03h02
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